Sobre cúpulas de infinito
gracejo de tudo o que quero.
Rio-me até rebentar os tímpanos.
E quando me canso adormeço.
Quando acordo, volto a rir.
Depois olho para o lado,
e sorrio da infelicidade dos outros.
Imagino-te comigo e fico radiante.
Vejo-me destruindo o teu todo perfeito.
Os meus olhos fervilham de êxtase
na luz da minha decadência.
Bocejo, naquele sentido lato
de não ter nada que fazer
para além de admitir que existo.
Despir-me de todo e qualquer tema,
impedindo a comum rotulagem
de quem pertence e não pertence.
Satisfaz e não satisfaz a puta
da sociedade mesquinha e podre.
Mas eu não. Eu tou cá em cima.
E só me sentem quando quero cagar
e não me apetece ir ao mar.
Fodei-vos a todos que não tenho
tempo para vós, abutres da vida.
Deixem-me continuar a prender
às pequenas coisas da minha vida.
Olhar-me ao espelho não é
meu hábito usual, mas hoje
decidi que me ia arranjar.
Foi por isso que decidi
ir cozinhar o meu jantar.
Abro a tampa do meu tacho,
e mergulho no mundo do meu
cozinhado algo insonso.
E faço tudo isto e muito mais.
E sou tão especial e importante
que praticamente ninguém me conhece.
E sorrio àqueles que não o sabem.
E vivo pacificamente comigo.
Aos domingos o João vem cá
jantar na nossa companhia.
O zé apresenta-se respeitoso,
e o kurt ouve avidamente as
fantásticas histórias deste
bravo e eterno camarada.
Eu ouço e sorrio, enquanto
lavo a loiça e arrumo a
cozinha, antes de irmos
para sala. Tomo café no
silêncio da conversa acesa
dos meus inseparáveis
companheiros de vida.
Companheiros de casca e orgulho.
Venho na noite para fugir do escuro
que encobre o dia dos malditos,
os que se escondem na penumbra
do sol da ignorância dos pobres de alma.
Nado nos mares revoltados de
satisfação gozosa e masoquista.
Aprendo no meu ínfimo piscar de olhos.
Sou tudo e nada e vazio preenchido,
sou abrigo dos meus amigos de infânica.
Sou o que me quero como paradigma
da existência singular de um indivíduo.
Arrasto-me pelos cantos sujos do mundo,
e digo que existo e sou!
Não me importo e estou consciente.
Não me importo de estar consciente,
e chamo-me apenas pessoa comum.
Somos isso.
Somos n.
éne...
Diogo