touch
a pele que se enrosca debaixo da minha
transpira suavidade, e o suor escalda
a saliva que goteja dum respirar abafado.
a língua que me percorre num perfume
de luxúria, ensopa os meus poros
de uma ínfima esperança de prazer.
os lábios, que me tocam, enchem os
meus olhos de cegueira e tombam
num toque macio e polposo.
e eu sou todo tacto!
e não escrevo!, mas sinto em Braille!
para mim, uma cama fria, é um
genuíno exemplo de autismo.
por isso saboreio a visão aromática
que me permite o som do teu toque.
Diogo

