formoterol & oxycodone
dedicado a Layne Staley
Em mais um daqueles dias
igual a tantos outros
em que me ponho a olhar pela
janela do meu quarto e fico
perdido em pensamentos indizíveis
Sinto um ardor na garganta
tão forte
tão acre
tão real.
Estava distraído e nem reparei
no pó que se desprende do mundo
e entra pela minha janela como
um salteador dos pouco precavidos.
Sou alérgico. alérgico ao pó, a tudo o resto que não me pertence.
Alérgico às horas que passam e nada me trazem.
que nada me dizem.
Alérgico às amizades esfumadas em contraste
de repressão social e inibição individual.
Alérgico a um cigarro que não se apaga.
Alérgico a um cólon que me fala de amor.
Alérgico a um passado do qual não me recordo
e a um futuro que não quer existir.
Atchim
E assoo a minha melancolia
Quero subir a uma oliveira e tropeçar
Cair no chão e partir o nariz e todos os dentes da boca
e sangrar até sentir a terra enlameada
E depois rir-me na omnipotência
de saber que não voo porque
o mundo não está feito à minha imagem.
Quero entregar-me à minha bolha
remeter-me a um estado pré-embrionário
e dormir
Só quero dormir...
kurt

