Friday, October 28, 2005

outono

Um tenebroso rugir martela
compassadamente um susto
que uma alma simples não
pode, simplesmente, aguentar.

Ah! como o medo de não me ouvir
é Terrível!
O medo de não me conseguir ouvir...

o verão de novembro leva-me
por memórias indizíveis.
materializo-me criança e
respiro sofregamente o meu passado .

Fecho os olhos molhados a um
passado que já não me pertence.

O medo de Outono carrega consigo
a dúvida característica de um final.
o Medo do fim pesa nos meus lábios,
em restos de polpa de dióspiro,
e nas unhas encardidas de romã.


Diogo

Monday, October 10, 2005

ponto

um casal que se despede num
parque de estacioanamento.
uma luz de candeeiro e uma
gota de solidão que preenche
um casco de alma podre e vazio.

asilo de vida

olhos cerrados e abertos que não
curam uma cegueira de infância.

triste estar numa poltrona
sem esperar nem demorar.

choro compulsivo e inconsequente.

ausência de vida num redor imenso.
levar as mãos à cabeça
e retirá-las no mesmo instante
sem que os dedos toquem no rosto.

tremer o sobrolho.
querer acordar sem dormir.
desejo de retorno.
esperança de útero
e desassemblagem celular.

estender a mão
agarrar o vazio
recolhê-la de imediato

arrastar. desistir> ?conceder Desfalecer...


Diogo