Thursday, May 25, 2006

fantasma

Debruçado sobre a sorte e sorrindo ao mundo,
exerço o meu direito sobre este pôr do sol!
Sem queixume nem arrogância pretensiosa
pergunto educadamente a hora ao corvo.
Peço-te para mim, equilíbrio em cascatas
de razão e ar fresco do sopro matinal.
Com um pé enrolado num lençol de
felicidade extravagante e um sono
contemplador de outro respirar.

Desposámos as nossas máscaras.
Voámos sobre a expectativa um do outro.
Cantámos imensidão!
quando o nosso espírito pedia
introspecção!

Invasão!

Choraste por não perceber quem somos.
Dúvida e esplendor não andam de mãos juntas!

Grita tu, agora, a tua dor.
E ajuda-me a calar a minha.

Um beijo na testa.
Dois pestanejares.

Aquela voz...


Diogo

Monday, May 22, 2006

E agora?

Desprezo e desinteresse na chama
de fiéis do nublado e cinzento,
e castas de torpes corpos
estendidos por lezírias de esquecimento.
Aperto de alma e coração!

Definição dos meus dedos
e oposição opaca das suas sombras.
Uma mão de tudo e outra de pouco mais.

Sentado no meu desassossego,
fecho os olhos num murmúrio de dúvida.

E agora?

Se tudo fosse simples como eu ou tu...
Se tudo estivesse ao nosso alcance?

E enchermo-nos de verdade!;
e sonharmos ser utopia.
E agarrarmos o ar que cada um respira.

Porque a nêspera não suspira,
e porque tristeza não me sabe bem,
percorri a calçada da minha biografia.

Porque ontem pus-me a descer
as escadinhas que levam à minha história
e cheguei ao bairro das minhas vivências.
Eu, cidade de tudo isto, cenário absoluto.

E saber que um fado pode contar tuda esta rua
faz-me pensar que para isso preciso de dedilhar
as vossas guitarras porque a minha voz não chega.

E assim fico meio confuso,
num misto de pluralidade
e talvez algo mais.

Deito-me A e acordo B.
Agora quero-te.

Agora, não.


César Sampaio