Friday, April 27, 2012

memória

Deixo-me agitar
pela memória dos desenganos
que dos desenganos da memória
me não consigo livrar.
E os dedos do tempo
que a minha alma procuram
tacteando os meus medos
na insónia perduram.
E vê-las caídas
esperanças de outrora
arrancadas de mim
não verão a aurora
do dia tal, o mais desejado
aquele em que o sonho
não mais é sonhado.
Em que o sonho cai
e se faz material
e não é mais sonho
é apenas real!

a memória não perdoa
nem me cura a aflição
a memória não esquece
nem me deixa esquecer
a memória é contrição
sem eu o saber...


Diogo