Teus braços, minha vontade.
Sorris-me e eu despeço-me de mim.
De uma sombra da tua presença
tinges os meus dedos de compota.
Dizes que o sabor dos meus lábios
é ouvido no estremecer do teu coração.
Sussuras o silêncio dos teus passos.
Cuidadosos. Suaves. Intrigantes.
Formas-te, do éter desapropriado
que me consome dia após dia.
Aproximas-te, numa distãncia
em que mal consigo tocar o teu cabelo.
Toco-te o rosto com o sopro
do meu respirar ofegante.
Abraço o teu universo no meu vazio.
Nos meus lençóis deito a nossa felicidade.
No teu peito descanso o meu rosto.
Espreito a tua cara, por entre
os cabelos que tombam e cobrem
os olhos que tentam fugir de mim.
Espreito a tua cara, e vejo-me
morrer nos teus braços caídos.
Adormeço.
kurt

