Thursday, January 25, 2007

Rainbow fraîche

Escorremos os pincéis sobre a mesma tela
Esborratamos as mesmas linhas
Percorremos o mesmo arco-íris

Paramos em pontas distintas
sem encontrar qualquer pote de ouro,
mas tão somente a plácida satisfação
de pudermos dar as mãos sobre a palette

E enquanto tingimos em arco
uma vida pintada do violeta ao vermelho
às nossas mãos é permitido que se enrolem
sobre a palette até atingirem uma transpiração
obsessiva de laranja vivo.

Não distingo cores que não sejam as do teu sorriso
e arqueio o teu corpo sobre o meu

Prolongas o arco até à margem e
borras-me os lábios com laranja

sabe bem não precisar de molduras


Jo
sé Luis da Fonseca

Monday, January 22, 2007

garota

novos caminhos
uma carta sem remetente
uma brisa que não nos toca
os teus cabelos na minha mão

uma orientação nova
Amar não é apoderar-se do outro
para completar-se mas dar ao outro para
completar...

um bombom
milhares de partículas de chocolate
imensos telhados
o teu rosto

uma luz
múltiplos reflexos
uma vontade
muitas certezas

sentir-te viver-te saber-te

amar-te


Diogo

Friday, January 19, 2007

a outra face

Não conheço dias como
aqueles em que entras
sem eu te dizer nada
e me vens dizer que
estar comigo é a única
verdade que alguma
vez almejaste

E isso faz-me pensar, porque, por entre
a sonolência de me sentir materializado,
eu interrogo-me se de facto há alguma
verdade nisso

Olho em volta e a única coisa palpável
que encontro é a pele das tuas mãos

E como é suave enquanto a percorro
com os meu dedos e me obrigo a sentir
todas as suas saliências e articulações
E como toda ela suspira por encontrar os meus dedos
E como eu a abraço com a minha outra mão

Reveste-se de especial gozo para mim
dizer que a verdade existe apenas no
beijo que os teus lábios selam neste
momento na minha testa febril.

Liberta-me dos suores frios
e aconchega a minha cabeça no teu colo
e a isso eu chamarei honestidade


kurt

Cipreste

Permitir uma sombra no meu claustro
é anoitecer para sempre no meu coração.
E eu escuto ansioso por me saber enganado
E apenas ouço o silêncio

Estou fraco e ressequido
e a fé abandona-me a cada passo que dou
sinto-me esvair na minha perseverança

O vento agita um cipreste à minha frente
e o céu promete chuva


José Luis da Fonseca

Bubbles

São bolhas de sabão que inalo neste momento
Imensas bolhas coloridas
que cruzam o meu imaginário
Gosto especialmente das vermelhas
exemplarmente cúbicas
e das azuis estranhamente disformes

E não há areia nem deserto aqui neste lugar
apenas as inúmeras bolhas que eu crio
com um simples sopro
enquanto pestanejo perante a ausência de toda e qualquer
realidade...............
Desordem e convulsão
numa dor que não se sente no toque de uma bolha
E eu a levitar dentro de uma bolha verde
e senti-la estalar dentro dos meus ouvidos

E projectar as bolhas numa sala
sem paredes, nem tecto, nem chão.
E caminhar descalço por entre as bolhas
e saber que nelas guardo toda a minha
inocência.


César Sampaio

ego sum jerusalem

Sobre as cinzas de uma cidade
despida de honra, orgulho e virtude
vacila comigo a coroa da perfeição.
Saladino entra vitorioso pelas muralhas
frágeis, erguidas após o meu assalto.
Ele sorri pois eu esmoreço...

Jerusalém é o centro do universo,
a cidade onde alma e corpo se reencontram
para aqueles que já não tinham esperança
de encontrar absolvição purificadora.
Jerusalém é a mulher que faz
com que os homens se sintam humanos.

Jerusalém foi a fonte do meu desejo
e a raíz da minha cobiça. Foi o meu motivo.

Foi manchado de sangue inocente
que ocupei o trono de Jerusalém.
Foi guiado pela divina graça que proclamei,
Eu sou Jerusalém!

Ego


Diogo