Thursday, February 09, 2006

Alfaiate

Uma visão inesperada
e um corte em rasgão
alimentam a visão perpetrada
em sulcos de solidão.

O traço de giz que percorre
um tecido puído e gasto
dissolve o que escorre
da inocência do casto.

O passado cose-se em linho.
E o presente fica um desalinho.
I-nho.

o tempo pára e o corpo de carne sorri
na sua pálida estupidez enquanto o
espírito se alimenta do que já foi

Olho o fato que acabo de fazer e anseio por estrear.
Tenho nele mil e uma estampas de felicidade.
Onde terei deixado o outro tecido?
Pouco interessa...

Febre de outra vida.
Espécie de maldição.
Infância vivida.

Opúsculo de contra-senso...
Fragmento da imaginação.
Sonho vivido, imenso!


kurt

Saturday, February 04, 2006

E cência

Na desilusão dos acontecimentos
e nas coisas pequenas e invisíveis
vejo o teu nome estampado por todo o lado.

Amo-te meu amor!
E não consigo pensar em mais
nenhuma desculpa para o erro.

A conquista do Übermensch deixa
de ser uma responsabilidade
e a evolução uma obrigação.
Amo-te e não consigo deixar de
me sentir culpado pelo nosso futuro.

Apoptótico é o meu sentimento
e a letargia de me envolver contigo.
Mas a simbiose é perfeita...

O existencialismo é uma mentira!
Mas o velho deus está morto.

Vem comigo tomar o mundo,
e que o nosso sexo seja a
fonte de fé dos seres fracos.


José Luis da Fonseca