Nuvens de chumbo
Escondido no solilóquio do fluxo,
perscruto ingenuamente
a condição tantas vezes verificada.
Saio e entro, e depois sigo num aroma
de café e esperança, num vislumbre
desfocado do nítido sujo e ortogonal.
Cadeiras de madeira, compassadas
em sintonia maestra de um teor
algo alcalino, acidamente redutor.
Positivamente deixada ao abandono
do esquecimento mútuo de quem
passa e não escuta o murmúrio
das coisas pequeninas e frágeis.
É este bailado de ritmo e cor,
de imobilidade corporal
e explosão sentimental.
É a mecânica da inércia,
o fotograma eterno.
Bola de cotão arrastada
sem existência aparente,
inerte secundário e virtual,
metido numa garrafa de rum.
Álcool depurado em acetona
ruim e corrupta, e catalisadora
de toda a maldade inimaginavelmente
concebida sem mácula nem pecado.
Virgem dos nossos tempos.
Mala de outrora.
Luz embaciada.
Ordem esquecida.
Afinal, de que penso?
Interrogo-me?
Afirmo-me, sem pestanejar,
como um simples pintor.
Olho e pincelo,
e a isto se resume a minha arte.
Comum tradutor visual-lexical.
Simples e reles cronista de imagens.
José Luis da Fonseca


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