Friday, April 27, 2012

memória

Deixo-me agitar
pela memória dos desenganos
que dos desenganos da memória
me não consigo livrar.
E os dedos do tempo
que a minha alma procuram
tacteando os meus medos
na insónia perduram.
E vê-las caídas
esperanças de outrora
arrancadas de mim
não verão a aurora
do dia tal, o mais desejado
aquele em que o sonho
não mais é sonhado.
Em que o sonho cai
e se faz material
e não é mais sonho
é apenas real!

a memória não perdoa
nem me cura a aflição
a memória não esquece
nem me deixa esquecer
a memória é contrição
sem eu o saber...


Diogo

Wednesday, December 08, 2010

Καλημέρα

From the visions carved
deep inside my mind
your hair came rustling
touching me only to find
that loneliness alone
tends not to be very kind.

Hyacinth, my princess
queen of warm ice
my half left defenseless,
lioness in disguise.

My princess Hyacinth,
you, my queen of Winter
engulfed in your scent
I dream living out of kilter!

And then, as Oneiros leaves,
reality with dream along
your soft breath weaves,
only to endearingly tell me
true happiness takes a shine
to your skin touching mine.

Waking up next to you
kissing while whispering,

Καλημέρα αγάπη μου



Diogo

Tuesday, November 09, 2010

stirred

Sem consentir que em consenso não sinto
eu presumo inocência quando minto,
presumindo irreflectidamente que pressinto
o amor enquanto consenso que consinto.


Diogo

Friday, July 09, 2010

Silk

Tacteando, passeio os dedos pela felicidade
Acenando no tímido sorriso que consigo esboçar.

Completude de existência é algo difícil de alcançar...
Amiúde o meu cepticismo, adormeço em tranquilidade.

O teu perfume na minha alma vem tatuado
Uma manifestação da mística que em mim se tem revelado

Quando fecho os olhos e com perfeiçao quero sonhar
és tu que vejo; serena, suspirando, na iminência de me beijar.


Diogo

Thursday, July 01, 2010

Bronze

O Sol cai como veludo
e vem tinir na minha pele
num repique surdo e sedoso
que é rubro e louco bronze
Plim... Plim... Plim...

Chocalhar de pequenos sinos
apertados entre glândulas sudoríparas
e o sol, comandante supremo
de todos os exércitos de sacristãos,
ordena que todo o bronze estremeça
contanto que da sua passagem nasça
um novo hino de adoração.

No total, todo este bronze
a cada retoque gemendo,
É uma mão de donzela fina
Acariciando... Enlouquecendo.


José Luis da Fonseca

Tuesday, May 25, 2010

Oniris

Incontornavelmente, e excepcionalmente, hoje tenho que fazer uma pequena introdução e deixar uma palavra de apreço a um grupo de colegas, amigos. Um abraço fraterno a toda a FénixDev, e em especial, sem ser por demérito dos demais, à Susana, ao Luis, ao Paulo, ao Pedro e ao João. Desconfio que desconheçam o real significado que o Principezinho tem para mim, mas não posso deixar de reconhecer o empenho que tiveram para me proporcionar um momento de verdadeira felicidade e isso, meus caros, é comoção sobejamente transbordante para mim.

Obrigado, o meu sincero obrigado. É, portanto, ao galo e à sua família que dedico este singelo soneto. Àqueles que, invariavelmente, como eu, não conseguem abandonar um sonho. Danke schön.


Lisboa, 24 de Maio de 2010



E um dia sonhei

para não mais acordar.

Embalado no sonho

do meu despertar.


Perseguindo realidades,

em convulsão de emoção;

construindo ficção

a partir de verdades.


Parti num cruzeiro onírico.

Agarrei destinos sem fim

Fui transatlântico cortando o Pacífico!


Vivendo, respirando e amando sem parar

De seda rindo, e dormindo em cetim;

acedendo no engano que é apenas sonhar.



Diogo

Monday, May 24, 2010

Fuga, 15 de Maio de 2010

Uma fuga. Uma fuga que para mim não é apenas resultado de cobardia. É uma necessidade tão primal como dormir ou fornicar. Uma resposta biológica aos impulsos de pânico que me causa a mentira em que vivo. E é então que fujo, como um miúdo que corre sem olhar para trás. Comigo segue a sempre fiel Lucille, uma VT750 Shadow que em tudo se poderia chamar Poderosa. É este o prêmbulo para uma aventura de horas que sempre acaba por se materializar em vidas. Vidas imensas que acumulo e somo às já vividas anteriormente. Está uma manhã de sol, com uma ligeira brisa que corta a monotonia do céu, de um azul plácido e infinito. Contacto... Ignição. O audível e característico motor eléctrico que reanima o V2 há-de ser sempre prenúncio de clímax intenso. Acaricio a Lucille antes de arrancar, num gesto simultâneo de afecto e superstição. Alea Jacta Est


8.37: Estudo por alto o percurso que me proponho fazer, enquanto bebo um café perto de casa. Não tenho horas para voltar. Apetece-me apenas andar e não pensar em nada. Vou para norte. Sem auto-estradas, sem vias rápidas, sem grandes urbes. Saio de Tomar à procura dos caminhos e das pequenas estradas que não vêm nos mapas. À procura de solidão e de paz. Não quero apenas viajar no espaço. Quero movimentar-me num misto de espaço e de tempo. Quero viajar pelas memórias. As minhas e as de quem me rodeia. Será uma viagem identitária. Por enquanto só posso afiançar isso.


8.53: Caso tivesse um rumo traçado, estaria já perdido. Mas neste género de viagem uma pessoa nunca se perde. Quanto muito poderá conseguir encontrar-se. Procurava um acesso secundário para Ferreira do Zêzere e entretanto desviei-me não sei bem para onde. A densa mata de eucalipto e urze, exposta aos primeiros raios de sol, expele um forte bálsamo. Ainda há humidade escondida nos fetos. A paisagem é deslumbrante, mas ainda cheira a casa.


9.12: Chego às Areias. Pequena terra, conhecida pelo queijo. Já sei onde me encontro. Sigo em direcção a Alvaiázere.


9.20: É grande a planície que antecede a chegada a Alvaiázere, pejada de olival. Diante já se avista a primeira serra a ser vencida.


9.34: Começo a subir as primeiras serranias. Generosas curvas vão permitindo que os montes se abram à minha passagem. A serra deixa-se domar sem grande resistência, não deixando, no entanto, de perder encanto algum pela forma desinibida com que a paisagem se entrega a quem a deseja atravessar.


9.45: Ansião não é mais lugarejo perdido no meio dos montes. Agora também tem rotundas e churrasqueiras. Passo indiferente e sigo o meu caminho. Faço notar apenas que há casório. Pelas indumentárias arrisco dizer que é casamento de emigrantes.


10.27: Soure surge tímida mas acolhedora. Há mais encanto neste pequeno lugar do que poderia imaginar. Encho o depósito da Lucille e verifico a pressão dos pneus. Peço ajuda no trajecto ao mesmo cavalheiro que me serve o chá. Procuro uma forma de atravessar o Mondego. Quero atravessá-lo de forma discreta, na ponte mais velha que existir. Preparo o meu assalto a Montemor-o-Velho como se fosse um verdadeiro génio militar. Quero tomar a vila. Pela empatia e pela saudade claro. Há casamento em Soure.


10.56: O dia aquece. Cruzo uma estrada que trilha por entre campos agrícolas e canais de irrigação. Há árvores que ladeiam a estrada e fazem um túnel de sombra, verde e frescura. A luz que consegue passar chega-nos sobre a forma de retalhos que se sucedem a uma velocidade vertiginosa. Sinto-me verdadeiramente a viajar através de memórias.


11.14: Avisto Montemor. Vila pacata e imponente castelo. Imponentíssimo! Hesito antes de começar a subida que permitirá a sua conquista.


11.17: Valeu a pena. De cá de cima preparo o próximo galope. Para norte, sempre para norte! Há um casamento no castelo.


11.39: Sem querer entrar em quaisquer considerações de natureza cultural ou regionalista, desde que saí de Montemor que há um cheiro incessante a merda no ar. Há um cheiro pestilento e pervasivo a merda de boi. Contínuo. Persigo o rumo de Mira. O caminho é fácil mas o cheiro é insuportável.


11.58: Em Mira há algum movimento em direcção aos destinos de praia. Continuo para norte. Próximo destino é Vagos.


12.04: Estrada em péssimas condições. A ponte sobre o rio Mira está em obras. O trânsito está muito condicionado. Admira-me a ponte ainda não ter ruído.


12.20: Passo em Calvão. Lembra-me um episódio assaz curioso. Também eu vivo apaixonado por isto. Não vou almoçar leitão apesar das imensas e convidativas placas e mensagens ao longo da estrada.


12.43: A estrada volta a pregar partidas. Entre Vagos e Ílhavo mais obras e mais desvios. O dia está cada vez mais delicioso. Aveiro aproxima-se


13.03: É o regresso a uma cidade que tanto amo! Comovente este regresso a Aveiro. Vou deixar a Lucille à sombra e depois vou comer qualquer coisa.


13.35: Passeio um pouco pela cidade. Volto a pegar na Lucille e vou até à Barra. Na praia está um vento muito forte.


14.23: Volto a entrar em Aveiro para comprar ovos moles. Não sou grande apreciador, mas em casa sou a excepção.


14.47: Saio de Aveiro em direcção a Águeda.


15.05: Caminho sem incidentes e sem motivos de relato. Apenas estrada. Vou a andar bem. Vou chegar a casa ainda durante o dia de certeza.


15.31: Passo por Águeda algo incólume. Encontro a indicação da direcção do Caramulo. Parto à conquista do segundo troço de serra do dia.


15.49: Há uma beleza nesta serra de cortar a respiração ao mais afoito e menos impressionável. Como é virgem e indiferente esta terra à passagem inexorável do tempo. Algumas casas de pedra vão-se seguindo ao longo da estrada que serpenteia entre os altos montes. Casas de tempos imemoráveis onde dentro ainda vive gente de agora. Palheiros, nabais, bovinos e xistos. Cheira a primodial. Sigo devagar, porque o caminho é perigoso, mas ainda assim conquistado e maravilhado.


16.12: Passo por S. João do Monte. Volto atrás. Não acredito nos meus olhos...


16.14: S. João do Monte é um retiro celta. Daqueles lugares sagrados onde os druidas de outrora se devem ter reunido todos os solstícios de Verão. Há tanto de místico naquele lugar como de romanesco utópico em mim. Passando uma muito velha ponte de pedra, há acesso a um paredão sobranceiro à ribeira, onde duas fadas, dois espíritos da floresta, de uma beleza e jovialidade que eu só conheço na mitlogia, se banham e divertem numa tarde quente de Primavera. O momento é perfeito. A ocasião, solene. Homem e natureza. Não é epicurismo. É definição de perfeição celestial e divina.


16.42: Depois de S. João do Monte descubro uma série de rotas que permitem a visita a um conjunto de aldeias históricas. O Caramulo é um legado identitário e mitológico a preservar. Daria a vida para o proteger.


17.13: Longe vão os tempos da tísica. Agora a doença é outra: o esquecimento. A estação sanatorial mantem toda a sua imponência e austeridade. Recebe-me com a frieza natural de pedra que habita estas paragens. Há velhos a jogar ao dominó num pequeno café, num recanto ainda mais pequeno. É altura de inverter a agulha da bússola.


17.26: Desço o que falta da altitude conquistada. Campo de Besteiros é apenas isso. Sigo. Tudo plano. Estranhamente plano. Não sei para onde fica Mortágua, mas também não existe outro caminho. Sigo.


17.41: A Lucille obriga-me a outra paragem para matar a sede. Mortágua atrás, rumo a Santa Comba Dão.


17.52: Revejo Santa Comba Dão em Constância. Vagamente semelhantes, partilham o mesmo papel conciliador de quem casa dois cursos de água. Não me alongo em explorações, e permito que a minha visita se faça apenas de um par de vislumbres.


18.09: Tábua. Rasa. Digo-o sem qualquer tom de perjúria. Oca, sem qualquer finalidade. Podemos fechar os olhos e imaginar que não está ali e a nossa percepção do mundo não se altera. Nunca consegui perceber porque razão existem lugares assim. Com caminho-de-ferro seria impossível distingui-la do Entroncamento. Assim é a Tábua. Pela frente mais serra.


18.21: A serra do Açor percorre-se com tal veleidade e ternura que não pode haver maior prazer na estrada. Desdobrar cada curva com tamanha minúcia, num prazer misto de rotações e motorização com uma paisagem de mata deslumbrante pintada com um pôr-do-sol deslumbrante.


18.54: Cruzo Arganil com pressa. Ainda é dia, mas vai-se fazendo tarde. Estou já bastante perto, porém, e não conto chegar a casa de noite. Não vou poder visistar Piódão. Ficará para outra viagem.


19.25: Até Góis percorrem-se baixios de serra. As árvores frondosas e intemporais são companhia que enche a alma. Estou feliz. Trauteio John Denver.


19.52: Entro na Lousã. Pelo mapa já não tenho muitos quilómetros a percorrer. Quero chegar a casa numa hora. Saio pela estrada velha que atravessa a serra de nome congénere.


20.02: Avizinha-se percurso díficil. Serra digna desse nome. Paredões de rocha vertical, do tamanho de gigantes, e uma estrada que se vai contorcendo por entre estas escarpas. Lá em baixo, no vale profundo, a paisagem é de cortar a respiração! Antigas fortificações, piscinas naturais, cascatas, um sem número de pequenos refúgios.


20.21: Continuo a subir e a um ritmo extremamente lento. A estrada é muito perigosa. Um passo em falso e já nao saio daqui. Vai anoitecendo e a temperatura começa a baixar. Começo a ficar preocupado.


21.00: Já está quase escuro. Aproximo-me do cume, mas agora surge outra dificuldade. Cá em cima está uma neblina tal que não se vê um palmo à frente do capacete. A situação é crítica.


21.08: Passo uma marca que indica os 1200m de altitude. Está muito frio. Doem-me as mãos. Não vejo nada. Caiu a noite. A estrada está escorregadia, é estreita e para lá fa berma é o precipício sem fim. Tento não pensar em nada disso. Começo a cantar para evitar pensar na minha situação. Não sinto partes do corpo mas tento manter-me completamente concentrado na estrada.


21.16: Atinjo o cume e começo a descer. As pás dos geradores a vento fazem um barulho surdo, como se fosse um baque oco que ecoa à minha volta. Vejo as luzes lá em baixo. É Castanheira de Pêra. Anseio por lá chegar. O frio vai-me perturbando consideravelmente.


21.32: A descida serpenteia ao longo de toda a encosta sul da serra. Castanheira de Pêra vai ficando, lentamente, cada vez mais próxima.


21.55: Entro em Castanheira de Pêra. Foram quase duas horas para fazer 45km! É noite cerrada, levantou-se um vento forte e a temperatura desceu bastante. Tenho que parar para me tentar aquecer. Esfregar as mãos, mexer os braços. etc.


22.04: Sigo em direcção a Figueiró dos Vinhos. Estou bastante cansado e anseio mais que tudo por um bom banho quente.


22.32: Entro em Figueiró. Há festa algures neste lugar. Ouço ruído de bailarico e foguetes ao longe. Estou muito cansado. O frio vai-me vencendo. Vou parar para comer alguma coisa e beber um chá bem quente.


22.56: Um pouco melhor, volto ao caminho. Estou perto e isso dá-me ânimo.


23.20: Depois de vaguear pelo mato escuro como breu, entro em Arega, que cruzo sem olhar para trás. Estou mais perto.


23.41: Chego ao cruzamento de Cabaços. A EN110 recebe-me de braços abertos. Para Tomar e a todo o gás!


23.54: Entrar no Munícipio de Ferreira do Zêzere é estar de volta ao distrito de origem. Estou perto. Já sinto o cheiro.


0.00: É Domingo. Estou já quase no concelho de Tomar.


0.17: Alviobeira, lugarejo abençoado, pois não faltarão mais de 20km para chegar.


0.36: Desligo o motor. Estou sozinho na minha garagem. Estou cansado. Dói-me o corpo. Com o frio perdi a sensibilidade nas mãos, nos braços, no pescoço. Tenho cãibras nas pernas. Desespero por um banho quente. Creio que posso afirmar que estou infinitamente feliz. Despeço-me da Lucille, apago a luz e acciono o mecanismo de fecho da garagem. Missão cumprida.

Sunday, April 18, 2010

A pitch dark soul - Ch.2

Partilho mais uma parte desta curta narrativa. Foi muito agradável trabalhar esta história. Estou mesmo bastante satisfeito. De tal maneira que já ando a imaginar os contornos da próxima. :)
Entretanto, volto a apelar, colaborador(a) pictográfico procura-se. Bom domingo.


Chapter 2 - James


In fact, there was a great reason for all that commotion that was fermenting inside Adam’s head. This strange new boy was normally dressed, with his school uniform from some unknown public school. Regardless there was something instantaneously awkward when we looked at him. Covering his face there was this old and dusty burlap sack.

Adam started questioning himself if he should be running away from that strange fellow. But then he remembered he hadn’t had anyone spoken to him in so much time, he was starting to feel he would regret if he turned around from that strange kid. Anyway even if this boy was just waiting to tease him off and beat him up, he couldn’t feel any more pain rather than the amount he was already feeling. And so, he decided to try again.

“Who are you? What’s your name?”

“I don’t have a name. I never had.”

“Well sir, everyone has a name. And I dare to say everyone must have one too.” Hick folks tend to treat everyone they don’t acknowledge with ‘sir’, following the first sentence with something they think is very complex and eloquent but that is actually logically absurd. This kind of speech vanishes as soon as they become acquainted. For countryside people this happens usually after five minutes of talking or as soon as someone refers ‘Jesus Christ’ in a sentence. Adam was just being faithful to his own roots.

“I never needed one though.”

“But you will. How do you, sir, expect me to salute you whenever I see you walking across the street?”

“I can’t see exactly how does that classify as a need of my own...”

“Jesus Christ, our Lord and Savior!”, said Adam in recognition of the so awaited proximity, “Whenever one friend can’t call on the other, that makes a problem they both have to face, don’t you think?”

“Well if this issue is already becoming a problem I suggest you pick a name to call me. The truth is I really don’t have a name.”

“You didn’t have, to be more precise. Nice to meet you James. I’m Adam.”, said Adam while extending his hand towards his new friend.

“Hi Adam. So tell me, was that what death really looks like?”

Wednesday, April 14, 2010

A lovely character: the insidious James.

--- Life is a slip stream, draining out until it reaches the absolute nothing. The perfect emptiness. Universal voidness.

James in A pitch dark soul

Tuesday, April 13, 2010

Uma pequena amostra de algo diferente

Tenho estado a trabalhar algo que é completamente novo para mim: o conto. Como tal, apesar de extremamente desafiante, tem oferecido algumas complicações próprias de uma arte que ainda não se domina com segurança. De qualquer forma está a ser uma experiência deveras agradável. Pretendo finalizar uma série de contos negros para crianças reluzentes, traçando um género que será algo semelhante a Allan Poe para pequenos iluminados.
Deixo-vos o início da primeira história, que está praticamente finalizada, de forma a ficarem com uma ideia do que tenho escrito ultimamente. Ainda não tem título definitivo, sendo que por ora se chama "A pitch dark soul".

PS: É verdade, procura-se ilustrador que compreenda bem a motivação deste trabalho. Por um lado o traço suave e o universo colorido próprios de uma bonita e esteticamente agradável ilustração para crianças. Por outro, o contraste com uma realidade crua, insensível e cinzenta. Se é desafio suficiente para ti, reply me. :)




Chapter 1 - A Strange Boy Comes By


Adam was a boy living in a countryside village. Despite being no older than 8, Adam was already a very special child. He could not stop ever feeling pain. For people like us, one second as Adam would feel like an excruciating agony. To Adam however, whom was used to live with his pain since he was born, that feeling was nothing but a constant, latent scream. A warning telling him he was alive.

Adam was in constant pain, but what really made him feel hurt was the fact he did not have any friends. Though his body cried constantly as if it was a disfigured sore, his heart actually cried over nothing but its own loneliness.

After school the other boys would usually go play football on some old oat fields, now abandoned, behind the church. Adam would travel south instead, along the old Kerrisburgh road, on his way to the riverbanks. Adam loved to spend his sunny Spring afternoons by the Sleevers Creek, especially next to the abandoned mill. After collecting some poppy heads (they are very abundant close to the shore) he would lay down on the grass and just watch the stripped clouds, those that so many times look like cotton puffs waiting for the wind to shape them. With a little penknife he would cut the poppy heads and wait for its ‘juice’ to become gooey. Then he would chew the poppy gum. This used to make him intimately relaxed, where conjoined with the soft breeze blowing his hair up on his forehead, made him feel truly at peace. After all, afternoons were great by the creek.

On that particular day though something unusual happened. He had already closed his eyes but was not asleep yet. The pain and the sadness were all but forgotten by now and he was feeling as like he was immersed in a pool of tranquility, when a very clear and deep voice sounded from above his head. “Is this what death looks like?” It was a boy, and this boy had a perfect accent, therefore it couldn’t be townsfolk. It was someone from outside, a ‘foreigner’. Adam opened his eyes with a hurry, the normal fastness we employ whenever we are surprised. As fast as he opened his eyes, he let his lower jaw hang loose in complete astonishment as he stared at the other boy standing next to him. The boy asked Adam again. “Is this what death looks like?”

“Who are you?”, Adam replied after the while it took him to recover from the initial shock.

“I am most confident that is the closest definition of death I have ever crossed with.”, said the boy.

“Who are you?...”, asked Adam again, though he was definitely thinking ‘WHAT can he be?’.

Sunday, February 21, 2010

Carmim

As tuas doces lágrimas
são para mim a contemplação
da certeza já sabida
da razão já deduzida
da esperada conclusão

E como sorris, Carmim.
E esvoaças e esbracejas
E nada exiges em troca
e nada para ti desejas
Esperas apenas paciente
que eu me concentre em mim
e deixe em ti minha semente
que guardas com apetite voraz
e eu não desminto que me apraz
ver assim minha vida sugada
afinal, sonhar
sempre vale mais que nada...

E como tu sonhas e te iludes
E eu desiludo e deixo-te sonhar
E mais depressa me esqueço
Do teu bocejar
Acordando a meu lado
Não desejando mais nada da vida
E eu indiferente continuando
sem conseguir esboçar
qualquer palavra de apreço
nem mesmo de reconforto
sem conseguir pronunciar
um sentimento distinto
Sem conseguir sentir
mais que uma total ausência de pudor
sem conseguir exprimir
um mínino laivo de amor

Carmim, possuir-te
teve sempre um preço.
Deixar que fosses tu
a engolir o meu orgulho
era remeter-te para
o eterno esquecimento.
Lamento se foste feliz,
eu era apenas oco.
E enquanto amar
será melhor que gostar
a verdade é que sonhar
será sempre melhor que nada


José Luis da Fonseca

Sunday, January 10, 2010

Alfa e Omega

Cheguei a um ponto de ruptura.

E preciso desesperadamente de me confessar.

Sou um homem de princípios.

De imensos princípios

E sem me aperceber

deixei que os sentimentos

se convertessem em burocracia.

Hoje sinto-me acordar

de um longo pesadelo,

e preciso verdadeiramente de chorar

Desconsoladamente


Porque as referências literárias,

a arte e o engenho das palavras,

as figuras de estilo,

as filosofias e as teorias,

os sentimentos complexos

explicados sobre papel milimétrico,

a vaidade irritante,

o “melhor que tu” escrito na testa,

toda essa torrente de iluminismo

universal reservada à restrita elite

dos universalmente iluminados;

Como?, e eu repito,

Como explicar tudo isso

a uma criança que chora com fome?

Ou a uma mãe que perdeu um filho?

Como explicamos isso a nós próprios

quando um amigo agonia numa morte

lenta à distância de um abraço?


Que podem dizer essas teorias sobre

a mais básica e crua manifestação

da singularidade humana: a dor.

Mas de que vale falar de evoluções

enquanto para tantos, mais que muitos,

demasiados, mesmo quase todos,

a única realidade conhecida é o sofrimento constante?

Para quê uma galeria de arte abstracta

quando graficamente o nosso mundo é monocromático?

Apenas de sangue se pintam as nossas telas,

e esse é um facto incontornável.

Que sentido fará então falar do multidimensionamento

do espírito humano?

Que sentido fará palrear ideias loucas sobre

a elevação do indivíduo a entidade central e suprema do universo

quando a poucos metros de nós há sempre alguém a suplicar

por um fim, e por vezes pior ainda, por um nunca haver princípio.

To hell with all that bullshit!..


Sei que não me estou a fazer entender,

não completamente pelo menos,

mas também não é neste momento meu intento

escrever mais uns versos bonitos.

Confesso-vos que choro desconsolademente

E sinto vergonha pelo meu egoísmo

Egoísmo esse sobre o qual nunca

tive verdadeira legitimidade.


Comecei com os meus princípios,

e com eles devo acabar.

Refugiei-me na depuração das noções

de amor e de felicidade.

E usei isso como desculpa.

Protegi-me atrás de uma barreira

invisível à qual chamei ética.

Mas a única coisa que realmente

eu procurava alcançar era o distanciamento

absoluto da condição humana.

Ao fim e ao cabo apenas quis fugir

daquilo de que verdadeiramente somos feitos:

medos, dor e sofrimento.

A minha vida foi toda ela um acto de cobardia.


E se à minha cega e fanática religião

chamei amor,

à cruz que agora se ergue à minha frente

eu chamarei redenção.

Por mais que me doa

sinto que devo isso ao mundo.

E basta que do meu sacrifício

se cale um choro de criança

para que, no meu sofrimento,

eu seja plenamente feliz.



kurt

Wednesday, December 23, 2009

Yule fever

On behalf of Judy Garland's Have Yourself a Merry Little Christmas.

Sílvia,

I’ve been feeling rather obnoxious lately. Invariantly, all of a sudden, it seems like everything around me is extremely hollow, vague and dull. I don’t think I will be able to endure this for much longer. Can’t find comfort, can’t find any solace, can’t find peace of soul. I can’t even sleep, and oh my!, how I crave for a nice sleeping of the heavens... My whole life is a merry-go-round over nothing, over absolute emptiness. Lately I haven’t even been allowed to dream...

I was star gazing just a few moments ago, and you know, it still amazes me to the very bottom of my heart how infinitely supreme the universe is. How it crushes you in the contempt of its greatness. I mean you couldn’t possibly feel any more insignificant when compared to it. Then suddenly out of nothing a meteor shower commenced. Though it not lasted long, it was still enough to make my moribund soul feel a bit of warmth. And then I found myself making a wish while gazing at one of the falling stars. I wished for you.

And it was so genuine, so pure, even childish, that I felt touched by my very own feelings! Ridiculous I agree, almost pedantic. Mostly pathetic, yes. And yet it was strange and insightful. Strange because, as far as I can remember that moment, I think I actually felt sorry about my own sadness. And for one fellow to feel sorry about his own melancholy I call that strange to say the least. And insightful for that moment made it all narrow and perfectly clear. My fever is for thee that it burns, my dear.

Orion have turned about fifteen degrees now... The pole star is still staring at me fixedly, like a madman. Condensation vaporizes up on the pace of my breathing. The arctic chill keeps devouring my ears and my nose. Everything is as deadly still as before. My forehead flaming as kerosene in the depths of hell. And the only momentary lapse of reason within this circus of nonsense was to remember you and wish for having you right on that moment right next to me, to give you my hand while I was looking into the sky as a little boy. And that I dare to say I would call it affection to start with...

Merry Christmas and let the Yuletide spirits be with you.
Yours truly,


Diogo




To everyone of you without exception, I wish a Merry and Holy Christmas. Let our spirits freely rejoice in queer manners. Let us feel the warmth of our hearts touching each other. Thou shalt not forget thy honest friends.
From Thomar with Love

Sunday, December 06, 2009

colhendo sonhos

Mais uma vez adormeço na solidão
para logo te receber nos meus sonhos
Rebolo pelos lençóis perseguindo uma ilusão
Quero encontrar o teu ombro despido
e deixar que os meus lábios te toquem no pescoço.
E quero depois chegar-te ao ouvido
para aí consumar a minha perdição!

A espera por ti é angustiante.
Exaspero e enervo-me
Lanço a mão no vazio!
sem conseguir tocar os teus cabelos.

Quero arder na tua respiração ofegante
numa febre que me consuma a mente
E o corpo num único instante

Quero afundar-me numa paixão
que me devore a alma... E então
acordo e o sol já nasce, distante...


Diogo

Saturday, December 05, 2009

homo scalpiens : (bocejo)

Os homens têm tendência a serem
sintomaticamente assintomáticos
Mas isso não me preocupa nada
Para mim não passam de meros
ocos descartáveis pneumáticos

Não preciso de os ler
para saber onde quero que me toquem
E sendo eles "todos iguais"
Uns há que são mais iguais que outros
Mas todos eles esgravatam no chiqueiro
Até ao dia em que eu trago um para casa
E dou-lhe banho.
E trato dele.
E aí ele passa a existir.
Dou-lhe um nome.
E ele dá-me o seu pequenino e precioso coração.
Dou-lhe uma razão para viver.
E ele dá-me a mão.
Eu retribuo com um sorriso forçado...
Eu estou sempre fria e ele não consegue aquecer.

E o meu clítoris dá-me razão:
Não preciso de os ler.


Helena Sofia Bastos