Monday, April 30, 2007

abril

Estendo a cabeça sobre o meu ombro
e agarro um violino imaginado na demência de abril
solto a primeira nota num suspiro
elevo-me descalço sobre a erva macia
enquanto rodopio por entre faias e tílias
num compasso que só o coração pode sentir

a melodia estende-se acelerada
e a alma delicia-se
Algo que não tem príncipio nem fim,
apenas durante, eu chamo de prazer

O que te diz hoje o vento?

Abre o alçapão que tens na testa
e deixa que ele te percorra!
deixa que ele te dê a resposta que procuras.
estala os dedos
sorri
dança comigo
abril todo o ano
perpétua louca inocência
infantil ingenuidade

recusa de evolução, apenas durante.
abril, abril sem término!
sem começo
só abril
apenas abril

O que me diz hoje o vento?
algo que fevereiro e maio desconhecem
algo que só consigo sentir, que não quero compreender

sou abril
e o meu violino somente a alegria de estar aqui

O que te diz hoje o vento?


José Luis da Fonseca

Tuesday, April 10, 2007

Renaissance

A solidão não me atormenta
Conforta-me
quando já não consigo dar nem mais um passo

Que pesado fardo que é a inaptidão

Interrogo-me se serei apenas algo fora de horas
ou se simplesmente não passo de um erro

Os disparates acumulam-se nas bocas dos outros
e no teu útero... no teu útero guardo recordações
memórias sobre outras formas de estar.
conviver para mim sempre foi um sacrifício
só sei agir, não sei reagir!

O mais boçal de todos os pierrots ainda chora por ti
pois não tenho nada mais para lhe dar
para além duma boa escarradela na testa
Um coitadinho não deixa de ser repugnante só porque soluça!
Felizmente o meu mundo
não é preto e branco como o dele.
nunca foi. nunca será.

Consumi-te

Sabes, és como aqueles grandes manjares
que fazem crescer água na boca.
No fim dão os restos aos cães
e fico com uma enorme indisposição.
Caiu-me mal...
Preciso de uns sais de frutas.




Olá ética!, chegas em boa altura.
Já tinha saudades...


kurt