abril
Estendo a cabeça sobre o meu ombro
e agarro um violino imaginado na demência de abril
solto a primeira nota num suspiro
elevo-me descalço sobre a erva macia
enquanto rodopio por entre faias e tílias
num compasso que só o coração pode sentir
a melodia estende-se acelerada
e a alma delicia-se
Algo que não tem príncipio nem fim,
apenas durante, eu chamo de prazer
O que te diz hoje o vento?
Abre o alçapão que tens na testa
e deixa que ele te percorra!
deixa que ele te dê a resposta que procuras.
estala os dedos
sorri
dança comigo
abril todo o ano
perpétua louca inocência
infantil ingenuidade
recusa de evolução, apenas durante.
abril, abril sem término!
sem começo
só abril
apenas abril
O que me diz hoje o vento?
algo que fevereiro e maio desconhecem
algo que só consigo sentir, que não quero compreender
sou abril
e o meu violino somente a alegria de estar aqui
O que te diz hoje o vento?
José Luis da Fonseca


1 Comments:
Haverá momentos assim? Que se estendem por uma vida para deles disfrutarmos eternamente? Ou a ilusao é besta e morde as canelas do presente para que nao possamos sentir a dor que nos rodeia?
Post a Comment
<< Home