E agora?
Desprezo e desinteresse na chama
de fiéis do nublado e cinzento,
e castas de torpes corpos
estendidos por lezírias de esquecimento.
Aperto de alma e coração!
Definição dos meus dedos
e oposição opaca das suas sombras.
Uma mão de tudo e outra de pouco mais.
Sentado no meu desassossego,
fecho os olhos num murmúrio de dúvida.
E agora?
Se tudo fosse simples como eu ou tu...
Se tudo estivesse ao nosso alcance?
E enchermo-nos de verdade!;
e sonharmos ser utopia.
E agarrarmos o ar que cada um respira.
Porque a nêspera não suspira,
e porque tristeza não me sabe bem,
percorri a calçada da minha biografia.
Porque ontem pus-me a descer
as escadinhas que levam à minha história
e cheguei ao bairro das minhas vivências.
Eu, cidade de tudo isto, cenário absoluto.
E saber que um fado pode contar tuda esta rua
faz-me pensar que para isso preciso de dedilhar
as vossas guitarras porque a minha voz não chega.
E assim fico meio confuso,
num misto de pluralidade
e talvez algo mais.
Deito-me A e acordo B.
Agora quero-te.
Agora, não.
César Sampaio


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