Thursday, July 10, 2008

formoterol & oxycodone

dedicado a Layne Staley


Em mais um daqueles dias
igual a tantos outros
em que me ponho a olhar pela
janela do meu quarto e fico
perdido em pensamentos indizíveis
Sinto um ardor na garganta
tão forte
tão acre
tão real.
Estava distraído e nem reparei
no pó que se desprende do mundo
e entra pela minha janela como
um salteador dos pouco precavidos.

Sou alérgico. alérgico ao pó, a tudo o resto que não me pertence.
Alérgico às horas que passam e nada me trazem.
que nada me dizem.
Alérgico às amizades esfumadas em contraste
de repressão social e inibição individual.
Alérgico a um cigarro que não se apaga.
Alérgico a um cólon que me fala de amor.
Alérgico a um passado do qual não me recordo
e a um futuro que não quer existir.

Atchim
E assoo a minha melancolia

Quero subir a uma oliveira e tropeçar
Cair no chão e partir o nariz e todos os dentes da boca
e sangrar até sentir a terra enlameada
E depois rir-me na omnipotência
de saber que não voo porque
o mundo não está feito à minha imagem.


Quero entregar-me à minha bolha
remeter-me a um estado pré-embrionário
e dormir
Só quero dormir...


kurt

1 Comments:

At 8:42 PM, Anonymous Anonymous said...

Sonhas? Se não, que prazer te traz o sono?
Não sei porque tens tanto medo de voar.
Medo medo medo medo medo medo medo. É isso que me mostras a cada instante, a cada palavra seca, a cada ofensa. Força bruta. Levas tudo à frente e nada possuis.
Apetece-me dizer que tenho pena de ti mas sei que seria ofensivo e não é isso que pretendo transmitir. Ainda agora sou impotente para te agitar.
Sonha, vôa, vive, sê feliz. És emoção, Kurt.

 

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