Friday, January 19, 2007

a outra face

Não conheço dias como
aqueles em que entras
sem eu te dizer nada
e me vens dizer que
estar comigo é a única
verdade que alguma
vez almejaste

E isso faz-me pensar, porque, por entre
a sonolência de me sentir materializado,
eu interrogo-me se de facto há alguma
verdade nisso

Olho em volta e a única coisa palpável
que encontro é a pele das tuas mãos

E como é suave enquanto a percorro
com os meu dedos e me obrigo a sentir
todas as suas saliências e articulações
E como toda ela suspira por encontrar os meus dedos
E como eu a abraço com a minha outra mão

Reveste-se de especial gozo para mim
dizer que a verdade existe apenas no
beijo que os teus lábios selam neste
momento na minha testa febril.

Liberta-me dos suores frios
e aconchega a minha cabeça no teu colo
e a isso eu chamarei honestidade


kurt

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