Thursday, February 09, 2006

Alfaiate

Uma visão inesperada
e um corte em rasgão
alimentam a visão perpetrada
em sulcos de solidão.

O traço de giz que percorre
um tecido puído e gasto
dissolve o que escorre
da inocência do casto.

O passado cose-se em linho.
E o presente fica um desalinho.
I-nho.

o tempo pára e o corpo de carne sorri
na sua pálida estupidez enquanto o
espírito se alimenta do que já foi

Olho o fato que acabo de fazer e anseio por estrear.
Tenho nele mil e uma estampas de felicidade.
Onde terei deixado o outro tecido?
Pouco interessa...

Febre de outra vida.
Espécie de maldição.
Infância vivida.

Opúsculo de contra-senso...
Fragmento da imaginação.
Sonho vivido, imenso!


kurt

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