Sopro
Com as cortinas cerradas
e apenas um pouco de luz,
que se escapa pelas garras
fortes de uma escuridão
que me conserva na maior
sarisfação de doce felicidade.
Um sorriso que escapa pela face,
que luta para permanecer fria
ao que vai acontecendo num coração
domado pelo torpor frenético.
Tomado por uma mão dócil.
Vem pintada de fresca, uma brisa
que vem do ocidente longínquo.
Sopra suave, suave, suave...
Espreguiça-se em mim, enquanto
a acaricio contra os meus braços.
Sigo o Sol, em busca de cegueira
maior que aquela que me tomou.
Os raios chicoteiam no retoar
de uma carícia que cobre todo
ar desta manhã fantasiada por mim.
No que penso, aproveito apenas
a ideia de que estou ali.
Satisfaço-me apenas com isso.
Ali ao alcance do sopro que levita
o meu mundo e o transforma
naquela matéria volátil, que
faz com que se escape por entre
os meus próprios dedos, que esvoace
como a ninfa dos sonhos do homem.
Do meu mundo, que brinca
às escondidas comigo.
O meu mundo, que te disse olá esta manhã.
O Mundo meu, que me soprou hoje o teu perfume.
José Luis da Fonseca


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