Friday, March 18, 2005

Desconforto

Por donde se exaltam
os gritos e gemidos
dos que são mudos,
chegam-me notícias
de que afinal nos sonhos
se come a gelatina de que
é feita a nossa moral.

Trememos de incoerência.
Viajamos cegos, e porventura,
caso não tenham reparado,
morremos de medos idiotas.
Nos sonhos eles não nos ouvem.
Nos sonhos limito-me a ouvir-te.
Sorri outra vez, por entre a chávena
de chá que me ofereces estendendo
esse teu frágil braço.

Cada pormenor em ti é um preenchimento
absoluto de todas as lacunas que
existem no para além de ti.

Fico nessa embolia. Nos segundos
seculares do atrofiamento do
meu córtex inferior. Sorrio.
Que nem um tolo, enquanto
tombo para a frente e bato
na mesa, que, por sinal, me
vai rachar a testa em dois.

Deixa. Sinto-me mal, só isso.
Uso-te, como se de um qualquer
analgésico genérico te tratasses.
Rio-me e não te amo.


kurt

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