Friday, January 07, 2005

Corsário dos mundos

Um dia, ainda era pequeno,
olhava pela minha janela
e enchia-me de felicidade
por pertencer a um todo
de vida que me rodeava.
Pertencia-me a cada partícula,
corria por sobre cada
cor de luz reflectida.

Abraçava-me a tudo,
e a tudo chamava meu.

Um novo quarteirão,
uma nova cidade.
Uma nova árvore,
uma nova terra.
Anexava todas estas conquistas
ao meu império de sentidos.

Além-mar, apenas o mistério.
Na água salgada, apenas
vestígios da existência
das tuas lágrimas.

Levado pela minha sede
imensa de eperiências,
construo uma caravela
da matéria de que
são feitos os sonhos.
Lanço-a no mar da incerteza,
e levo-a a perseguir uma miragem.

Faço-me navegar pelas
ondas do teu cabelo.
Agarro a espuma do teu corpo
e chamo-me pirata do teu ser.
Redescubro-te em cada nova abordagem.

Devoro a tua essência
e deixo-te vazia.
Trinco a tua alma
e alimento-me do teu tesouro.

Outro novo mundo espera-me,
e parto.

Anoitece no meu império.
Ficam as lembranças de
quando ainda sonhava conquistá-lo.


kurt

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