Em mim, Mogadíscio.
O vento seco e torpe leva as lágrimas
que evaporam do canto de
uns olhos tristes e vidrados.
Perscrutam o futuro sem
encontrar esperança além
da poeira que desidrata
a pele e a alma de quem
teima em ficar de pé.
Nos lábios gretados, emaranham-se
as palavras de quem não protesta.
Das injustiças digeridas.
Da sede de verdade.
No corpo, as cicatrizes da incompreensão.
No pico do meio-dia, uma figura
faz sombra sobre si própria.
É tristeza por pura contemplação.
Um acenar discreto à palidez da vida.
Uma barriga cheia de pó.
Quando só lhe resta sorrir-me,
vira-me as costas e vagueia por rumo incerto.
É a minha tristeza. Sazonal, deambulante.
Em mim, Mogadíscio materializa-se,
numa Europa rica e luxuriante.
Mas cá dentro, ressoam apenas
as tempestades de areia e o murmúrio
de um mismar distante.
Diogo


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