Sino
Equecem, os passos, o pó levantado.
Esmorece a vida num corpo pesado.
Cegam o caminho, os olhos cansados.
Anseia pelo fim, a vontade já gasta.
Dobram sinos, por uma morte certa.
Dobram-se os sonhos, vergados pelo
peso da ilusão!
Arrastam-se as suplicas numa chuva
miúda de infâme prepotência.
Ri-se da desgraça de quem acredita.
E consente-se, em silêncio, que do pó
que se chora, se construa esquecimento vão.
Estala a força, ao repique de um sino.
A persistência é, enfim, vencida pela
vergonha da aceitação da diferença.
Morre-se. Devagar e lentamente...
Na calçada da civilização, um homem não tomba sozinho.
A angústia é legítima e tão real quanto a dor que causa.
Aceitá-la é o mesmo que não me aceitar.
Honrar-me é ficar a ecoar num sino que não quero ouvir.
Viver é ficar indeciso entre uma e outra.
Morrer é apenas sentir a brisa fresca que me levanta o cabelo na testa.
Diogo


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