O Povo
O povo cumprimenta com petardos
e guinadas de borracha queimada.
Não consigo evitar o sorriso contido.
Se eles soubessem...
Então saúdam o novo ano com tanta euforia?
E não sabem que é este o último?
Que este traz a vossa destruição?
Então porque te embebedas?
De que te ris, animal?
É por este ano ser um bruto pior que o anterior?
Ah, ris-te por seres um bruto maior que ele!
E não tens vergonha de te humilhares
espécie de cavalgadura feita besta humana?
Este povo é uma nódoa nojenta,
sarro gorduroso, impregnação de imperfeição.
Ri de boca cheia de bosta,
escarra pus de orgulho gutural,
mija nas vielas escuras,
seduz criancinhas orfãs,
aplaude maricas aristocratas,
chora com um punhado de turistas afogados,
ri da miséria do terceiro mundo,
vibra com uma bola e uma caneca de cerveja,
desliga a televisão e vai dormir.
Amanhã é novo dia, e a rotina começa cedo...
Ainda ris?
Então és incurável.
Sê feliz, então. Pobre diabo!
Ai Nandinho, como eras tolo!
Então querias fazer deste povo um Quinto Império?
Um império cultural, vejam bem!
Nem que a vaca tussa, que é
como quem diz, nem que a Júlia
Pinheiro comande esse império.
Quase me engasgo no meu riso.
Como é que esta cambada de idiotas
conseguia conquistar culturalmente
o que quer que fosse?
Que temos nós a mostrar ao mundo?
O nosso arroto insurdecedor?
Uma manifestação do mais profundamente
selvático que existe em nós!
Arrota, que estás de barriga cheia, cabrão.
Dantes querias revolucionar-te.
Agora que até as tíbias do
teu ex-patrão roeste, arrotas
com um cravo espetado em cada orelha.
Ri-te à vontade, animal imundo!
Rebola-te na pocilga que é o teu lar.
És um génio da ciência!
Conseguite provar que as iguanas estavam erradas.
Fizeste com que Darwin rebolasse na sua cova.
Mostraste que para trás é que é o caminho.
Conseguiste ser a principal atracção do circo europa.
Parabéns troglodita asqueroso.
Como te admiro, minha viscosa lesma fecal.
És a negação de tudo o que desejo para mim.
Obrigado por me servires de anti-paradigma.
Não batas já as palmas, antibiótico cefálico!
Ainda não acabei, rude, mentecapto, lusitano.
Sempre a mesma mania.
Bates palmas para quê?
Se queres aquecer as mãos, enfia-as no rectum, estúpido ignorante!
Imperador das bestas mais acéfalas do universo!
Segue o teu caminho, aberração dantesca.
Engole bem todas as asneiras escolásticas.
Não te esqueças disto!
Socratiza-te!
Tenho dito.
(agora podes bater palmas, alarve de inconsciências!)
João


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