Trópico
No Pacífico do meu sonho
desenho a Midway dos meus sentidos.
Redonda como um atol
é a força jovem do meu espírito.
No interior o mar calmo e transparente
de pureza imensa adormecida por anos de clausura.
Desperta com os primeiros raios de sol
uma agitação miúda na água que preenche
a minha sede de novas fronteiras.
Tremem as areias que sustentam
a minha frágil existência neste oceano.
Abanam as copas das palmeiras numa
manhã soalheira e ombreada de regozijo.
O espreguiçar da natureza estática
sente-se nos cocos que se precipitam na praia macia.
O meu atol desvenda-se na possibilidade
de te revelar o seu segredo.
A pequena ilha acorda quando implodes
no teu urânio de íntimo desejo.
Quando evaporas, satisfazes o instante
do acordar de um Pacífico que não tem início,
e proporcionas a completude de um atol que não tem fim.
Fecho os olhos de novo, e estou cego no meu atol.
Um sonho existe só na aquiescência da realidade.
E, enquanto o Pacífico continua a respirar perspectivas de real,
no mar do meu atol ainda residem vapores de devaneio.
José Luis da Fonseca


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