Natalia
Na dormência da tua dança
amoleço a alma que me asfixia.
Dobras-te, sinuosa, quando
passas junto a mim.
Mordiscas a cartilagem
de uma orelha minha
que está cansada de ouvir mentiras.
Sorris no silêncio.
Não mentes, não escondes.
Brincas na minha insanidade.
Somos dois loucos seduzidos
pelo mesmo impulso de ser
apenas naquele singelo instante.
Falas-me com as tuas mãos,
e eu limito-me a acreditar
na verdade do teu tacto.
Eu, Tu, não interessa.
Nós, não vale a pena pensar.
Para quê personificar aquilo que somos?
Somos o sorriso de um
no desejo do outro.
Não há nome que isso
tenha que não aquele
que os teus seios escrevem
na minha testa suada.
Lábios rubi, sequiosos.
Olhos penetrantes, perigosos.
Encosta a tua bochecha escarlate
na minha barba aparada.
Respira-me o ar da tua ilusão.
Diogo


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