Sandbox
Empalado num beijo tardio.
Atravessando nuvens de tédio.
Soprando um final de dor.
O fatalismo que me percorre
é suficiente para nem querer
sequer escrever estas linhas.
Num aproximar galopante
de um final inesperado, não
me resta mais que pousar
a enxada e descansar os calos
de uma mão que cavou o pó
da estupidez durante toda a vida.
Esfregar a testa suada que se
esconde debaixo de um boné
surrado e depreciativo da
condição a que estava reservado.
É uma merda! É uma merda acabar tudo assim.
É a falta de sentido de oportunidade
a que o destino já nos habituou.
Tudo morre no exacto momento
em que a coroa do meu esforço
me é legitimamente colocada.
Deixo-me atravessar pelo Fim
para descobrir que o outro lado
é um retorno ao Início.
Não tenho problemas em adaptar-me,
como já não sei quem disse uma vez.
Só não me sinto bem comigo por saber
que estou confinado, que não me posso
estender até onde bem me apeteça.
É uma merda, viver nesta sandbox.
Perdi o interesse por tudo...
Até mesmo por isto.
(bocejo)
Diogo


0 Comments:
Post a Comment
<< Home