Saturday, July 30, 2005

Sandbox

Empalado num beijo tardio.
Atravessando nuvens de tédio.
Soprando um final de dor.

O fatalismo que me percorre
é suficiente para nem querer
sequer escrever estas linhas.

Num aproximar galopante
de um final inesperado, não
me resta mais que pousar
a enxada e descansar os calos
de uma mão que cavou o pó
da estupidez durante toda a vida.

Esfregar a testa suada que se
esconde debaixo de um boné
surrado e depreciativo da
condição a que estava reservado.

É uma merda! É uma merda acabar tudo assim.

É a falta de sentido de oportunidade
a que o destino já nos habituou.

Tudo morre no exacto momento
em que a coroa do meu esforço
me é legitimamente colocada.

Deixo-me atravessar pelo Fim
para descobrir que o outro lado
é um retorno ao Início.

Não tenho problemas em adaptar-me,
como já não sei quem disse uma vez.
Só não me sinto bem comigo por saber
que estou confinado, que não me posso
estender até onde bem me apeteça.

É uma merda, viver nesta sandbox.

Perdi o interesse por tudo...
Até mesmo por isto.
(bocejo)


Diogo

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