Saturday, January 01, 2005

PhD

Apraz-me dizer que hoje
me senti deveras excitado.
Li avidamente, até atingir
a margem da obsessão depressiva,
poemas de doutores eruditos.
Atingi o clímax de menino
sem fralda que corre pelo mundo.

Vi as gramáticas exemplarmente
dispostas em caixinhas de papel.
Senti o perfume da poesia dos
inteligentes e incompreendidos.
Senti-me em casa, numa modéstia descuidada.
Respirei de alívio e tremi
ao reconhecer-me em cada
verso, cada página, cada vírgula.

Senti-me insignificante e inferior.
E sorri de alegria por depor
o meu fardo de mensageiro.
Ai, philosophiae doctor,
que bem que vós escreveis.
Que fascínio para a alma
que é poder ler-vos.

Como eu era insignificante.
Como vós sois supremos.
Que felicidade para este mundo.


kurt

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