Sinfonia de Vénus
Despeço-me de tudo o que é correcto
e entrego-me num frenesim poético.
Consolo-me no restante oculto que
é a satisfaçao de ter uma vida,
uma vida traçada numa prancha de BD
e alinhavada por entre a composição de um verso
Agito!
AAAHHHH!
não sei para onde me virar
estou cego de tanta beleza
já não sei que pensar, só consigo murmurar
oco, és oco, oco, oco.
e ali, tão perto, tão fácil
de alcançar.
Tudo
tudo o que alguma vez tinha conseguido imaginar.
tudo o que quis dizer
tudo o que me tinha passado pela cabeça
tudo o que me compunha
numa composiçao bonita e singela
e repleta de verdade que eu não tinha conseguido abraçar
na névoa que cobria o meu raciocinio.
Já não há mistério para mim.
Agora, não por mim,
sei. sei-te
Entregaste-me uma procuração
de vida e morte.
"olha, vivi-te. toma o meu resumo de ti."
autopsiaste-me e disseste, não és diferente.
és tão simples e tão igual quanto os outros.
e agora sou mais feliz,
mesmo sabendo que és indiferente,
e que te viraste para outro caso.
na minha mão fica apenas um pedaço de papel rasgado,
com a nota da minha prestação e o número do meu BI.
Nem nome tenho.
apenas quantificação
Mas tornaste-me real.
Deste-me existência na tua linha de montagem.
Não sei que te hei-de chamar.
Não te importas de ficar incógnita, pois não?
kurt


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