Folhas
Sinto-me desprender ao sabor
do teu sopro, amigo meridional.
Na preguiça de um aconchego,
peço-te só mais um pouco de calor.
Espreguiço-me num olá cordial,
cerro as pálpebras cansadas,
e murmuro, Ele já veio...
Amareleço a minha seiva,
e deixo-me guiar pela letargia do tempo.
Desprendo-me numa rotina.
Hiberno no frio outonal.
Olho-me tão só e gélido.
Deixo-me cair suavemente
no meu leito, e aguardo.
Enrolo-me devagar no meu casulo.
É tempo de nostalgia e ruas iluminadas.
É tempo de recordar e esperar.
Bocejo...
José Luis da Fonseca


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