Friday, October 30, 2009

um Q de mim

Venho cheio de imagens na minha mente
das que imprimem uma mística, uma face oculta
Um Q de vida de se saber ser que sente,
uma palavra retorcida num sentimento que faculta
o olhar indiscreto sobre o sofrimento indirecto.

Ó fluxo magnânine!, sina imutável!
porque de tanta crueldade inundaste o mundo?
Com quantas pedras se descreve em ti um segundo?
Porquê de ti só mal condenável?

Tenho por de mim o mais íntimo desejo
de libertar sobre ti tudo aquilo quanto vejo
mas sobretudo de te mostrar tudo aquilo que imagino
O abrir os diques da minha alma a repique de sino
A perfeita construção humana espalhada sobre o mundo
num aluvião de sensações e amar profundo

Como é perfeito tudo isto na minha mente
que imprimindo realidade, numa face de ternura
É um Q de generosidade que é verdade e está quente,
uma palavra amiga num sentimento que perdura
o sorrir indiscreto sobre o amor indirecto.


Diogo

5 Comments:

At 4:00 PM, Anonymous Anonymous said...

Os teus comentários são SEMPRE benvindos! Dás sempre uma palavra acolhedora e confortavelmente morna. :) obgda! (E o teu abraço tb seria benvindo se te visse. :) )

A metáfora do saco... É uma coisa que aprendi há relativamente pco tempo e não quero esquecer. A música lindíssima da cena lembra-me disso, lembra-me do que aprendi e da minha condição. Minha e de todos. Tal como ele diz: "I need to remember..." Não quero esquecer o que tenho aprendido.

E o teu poema, um Q de mim. Fala de um sonho, um desejo...certo? O teu desejo de tornar a realidade perfeita, uma vez que está tão retorcida... Confesso q entender poesia não é o meu forte, mas gostava de a saber mais. Vejo que a melancolia tb te acompanha. Não achas estranho, não tens medo por não saber viver fora dela? Eu, pelo menos, às vezes sinto medo de a desejar secretamente... :/

Não vale a pena tentar mudar o mundo... Só fica o desejo...

 
At 7:08 PM, Blogger atriade said...

A melancolia não é um sentimento devasso, nem um desejo proibido, masoquista.
A melancolia faz parte do nosso círculo de afectos. É uma forma de estarmos em intimidade: não com os outros, mas com nós próprios!

Por isso se caracteriza tão singularmente através de monólogos, de momentos de solidão. Mas não só de sofrimento, também é muitas vezes felicidade (tu própria dizes que secretamente recordas momentos que te fazem sorrir...). A minha vivência melancólica não é um desejo secreto, é mais como chegar a casa ao fim do dia e vestir o pijama e enroscar-me no conforto e intimidade do meu quarto. Por vezes imaginando um caminhar descalço pela neve, outras vezes um rebolar pela erva macia, mas sempre só. Sozinho em intimidade comigo, é isso para mim a melancolia.

Portanto não a encaro com medo, nem com lascívia. Nem coloco a questão de viver dentro ou fora dela. Aceito-a tão naturalmente como aos meus vulgares olhos castanhos. :)

Quanto a entender poesia, também não é o meu forte; nem sei se isso é possível! :P
Mas podem-se tirar leituras... Se quiseres um dia destes podemos discutir e comparar leituras de um ou outro poema meu. Não tenho o hábito de o fazer (não recebo assim muitas visitas :P), mas fica lançado o convite.

 
At 10:09 PM, Anonymous Anonymous said...

convite aceite então! ;)

Relativamente ainda à Melancolia, ela é um sentimento de tristeza. Daí eu achar esquisito gostar dela. E de chorar também. Quanto ao sentimento de intimidade comigo mesma, acho que, isso sim, é a Solidão. A Solidão é que pode ou não ser agradável. Mas a melancolia caracteriza-se por ser triste... Não é questão de opinião, é o significado das palavras. Não estarás a confundir, ou mesmo a transformar o significado destas duas palavras?


(Não leves a mal a minha escrita, não estou, nem de longe nem de perto, a ser brava contigo. Por escrito é mais fácil deixar transparecer a verdade, então posso parecer mais bruta, mas nada disso ok?)

:)

 
At 10:49 PM, Blogger atriade said...

Hmm, devíamos chamar o Diogo Infante para nos ajudar nesta questão de linguística... :P

Segundo os acordos e os prontuários deves ter, muito provavelmente, razão, por isso reconheço-te toda a legitimidade para colocares um post-it por cima com a errata.

Mas se não for incómodo eu vou manter os meus abusos de linguagem. :)
Por vezes as palavras ganham vida própria para lá de como são definidas. Ficam associadas a lugares, a cheiros, a cores, a estados de alma. E, para além de dificultarem a vida ao interlocutor receptor, permitem um enriquecimento enorme da expressividade do interlocutor emissor.

Resumindo: Sim, devemos estar a falar do mesmo. Será portanto um problema de taxonomia.

Como é que foi o teu fim-de-semana?

 
At 9:10 PM, Anonymous Anonymous said...

eu percebi que a tua interpretação da palavra era diferente da minha. foste para alem do seu significado, o que a torna mais interessante em certos contextos.

Bem, a pergnta do fim de semana já não foi deste que passou, mas vou responder ao que passou: foi mau. Estou doente e não passa! nem tenho ido às aulas! :(

 

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