Argonautas do Luar
Argonautas do luar.
Garimpeiros incansáveis do crescente.
Mistério secular
sem tempo nem presente.
Instinto do cheirar
aqui e ali.
Sentido apurado,
de quem chora e ri.
Vejo-vos no céu estrelado
como piratas do espaço.
Sem tempo nem passado,
num instante fugaz e escasso.
Fico pensativo e atento
neste estranho evento.
Interrogo-me porquê,
do seu desaparecimento.
Queria ir com eles,
mas fico só a ver.
Num querer sem poder,
limito-me a ver,
depois sorrio,
e a seguir escrevo.
Vejo, sorrio, escrevo.
São a minha companhia.
Invísvel em sintonia,
inalcançado em parceria.
São o meu sonho e o meu desejo.
São o reflexo no qual eu vejo
a minha vontade de mudar.
Uma vontade de imaginar
um outro mundo perfeito,
onde eu posso navegar;
entrar torto, sair direito.
São eles meus companheiros,
arcanjos da minha viagem.
Sorrisos numa mensagem,
esperança no olhar.
São efémero a dissipar.
Pensamento perdido e deposto.
Mera fragância fresca no rosto.
Simples argonautas do luar.
Diogo


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