Peço-te
Sigo os passos do meu passado. Persigo o que foi, ou o que talvez ainda seja. Mágoa, tristeza, solidão... Nem sei! Vazio!...
Não era lá que estavas. Afinal quem és? Quem sou? Que quero? Não quero voltar atrás! Vergonha, sabes. Muita vergonha impede-me de levantar a cabeça e contemplar. Olho apenas as "peugadas" do que fui. Não te encontrar lá chega-me para regressar.
No entanto, não preciso de olhar para ver o que não quero. Custa-me! Sinceramente. Sabias que eles cospem no cravo de Maio que viu nascer Abril? Foi nesta terra que Abril abriu as portas e agora só o povo as cerra! Cheio de esperanças mortas, corações peçonhentos, futilidades na cabeça. Este povo, que Abril pariu, aborta a própria existência. Esquece o internacionalismo socialista. Transformou-se num vírus materialista. Este povo está morto como comunidade. Fatalmente remetido para uma regressão evolutiva. Isto não é um povo. Isto é uma nódoa histórica!
Olha, nem sei... Não sei se ria, se chore. Se chore pelos camaradas silenciados à força! Cancros à luz da nova ordem que se ergueu. Alvos a abater sem piedade. Se ria de uma ironia sem igual. Apareceres no momento em que a minha biografia só faz sentido num epígrafo... Sou de outros tempos. Sou da esperança numa humanidade humana. Por favor, não me prendas! Não me faças isso. Peço-te....
kurt


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