Abraça-me
Do meu rosto cansado, permito-me apenas virar os olhos um pouco mais para cima, tentando alcançar o que sei não existir. Quando tudo está perdido, age-se sem pensar na razão dos actos. Age-se e pronto. Tudo se torna tão simples, como sempre deveria ser. Detesto viver no tempo do talvez.
Do teu rosto esmorecido, permito-me apenas ver correr as lágrimas da injustiça. As coisas ganham outra prioridade. Já não é sim ou não. É sentir-me triste por te ver sofrer. É saber-te mais e melhor que tudo isso. É sentir-me impotente para te ajudar. É não saber que te dizer. Imaginando o sabor das tuas lágrimas, entrar numa intimidade não concedida. Raptar-te à força desse todo mesquinho incontornável. Poder dizer não tem que ser assim. É ter a humildade honesta de te estender a mão.
Deixa-me abraçar-te.
José Luis da Fonseca


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