Burgueses do por vezes. (Traidores dos talvezes.)
Ó nobre Templário!
Irmão do pobre Macário.
Olha o emigrante que quer passar,
com pressa de o ir gastar.
Les emigrants
sont des bon-vivants!
Bourgeois du parfois.
Coitados, que de tão cegos
se afundam como pregos,
no mar imenso do capitalismo.
Subordinados ao vínculo
do intrépido despotismo,
de quem sai chorando, por nada ter.
E volta sorrindo, satisfeito,
por até a honra ter conseguido perder.
Batam palmas, a este estranho animal.
Atracção de qualquer zoológico
de qualquer indigna capital.
Erro genético e biológico.
Malfafado
de uma despeitada pátria.
Dizimado
por uma saudade errática.
Saís de cá servo e irmão.
Vindes com ganas de patrão.
Já não és de cá, és de lá.
Já não és de lá, não és cá.
Já não sois nada nem de nada.
Não és um pobre tímido português.
Nem um bem-sucedido burguês.
És vazio intelectual,
merda ambulante num suplico.
És a todos nós igual,
só que um pouco mais rico.
João


0 Comments:
Post a Comment
<< Home