Saturday, December 31, 2005

Concha2005

Nos resvalos da insanidade
um comprometimento é tão certo
como um búzio cheio de vozes estranhas.
Um búzio que se agarra a um tímpano
tímido e faz estremecer um indivíduo
com uma tempestade de mentiras vãs.

a casota de lodo a que eu chamo lar chora,
enquanto eu passo a esfregona cheia de limpo e brilho.
velho e Novo misturam-se num carnaval de
confusão e alarido.
Bom e mau; a dicotomia de sempre respingada
num balde de água suja.
Homem e búzio num suicídio colectivo.

No interior das conchas que já abri nunca
encontrei um pérola que fosse, apenas areia.
Areia que guardo num vaso no meu jardim.
Vaso a que chamei solidão.
STOP

Hoje deitei fora o búzio e pus-me a remexer na areia.
Senti-me indiferente.
amassei a areia e moldei um coração com ela.
Coloquei-o no peito e fechei a minha concha.


kurt

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