ethica
À languidez a que me submeto
subscrevo a ironia de me sentir bem.
Ao pesado fardo do mofo de outono
recordo que o ano tem dias que nem ele conhece.
Mas hoje apanhaste-me num daqueles cantos
a trincar gulosamente o chocolate do descrédito!
E eu minto, e nego-me recursivamente!
E não tenho vergonha de o fazer!
A ethica dança vaidosa.
E os olhos enraivecidos da brutidade,
do assimétrico, do imperfeito, do descontínuo,
derramam um pus invejoso.
E ela dança de pés nus. No frio. Sozinha. Feliz.
Pele e pedra em contactos momentâneos e nervosos.
Posso não saber viver sem as minhas ferraduras...
Mas sei que quando acordo tenhos os pés frios
e o meu coração arde de saudades tuas.
kurt


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