Salvia
Um riso estridente que repassa
na camisa enrugada de quem passa
e não escuta que um homem está mal,
quebra a regra mestra do mundo
que se sustenta num só pé.
Eles estão na minha cabeça a dançar.
Fazem a festa cá dentro, diz ele.
Mas o que ele não sabe, é que, lá fora,
o mundo, invertido na sinfonia do
desassosego de quem observa,
dissolve-se numa luz de noite
que engole os mais cépticos forasteiros
destas horas.
Não é orgulho nem mágoa.
É despropósito e desinteresse.
É assim que os meus olhos captam
um real de nada tão puro quanto
os sonhos que me escapam há vários dias.
Trava esse coche, que quando aceleras
a meninge da minha sanidade afasta-se
perigosamente do centro de razão do meu ser.
Deixa-me sair e respirar.
Se o amanhã existir, então te direi porque
razão não existíamos antes de hoje.
kurt


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