Tuesday, September 20, 2005

Sonolência

Oiço uivos de tortura que vêm
de um eu longínquo que tem
vergonha de mostrar a sua nudez.

Como a lua, ele é pálido e carece
de forma que o aconchegue, e absorva
os murmúrios de dor longa e sufocante.

Porque este eu chora, e não cala
no desprezo do quotidiano,
vive triste num fundo só dele.

Estender-lhe a mão é cair num
vazio turvo de impotência e desespero.

Abrir os olhos é estagnar o coração!
Fraco motivo abjecto de existência!

Cheiro de real numa pele que é minha.


Diogo

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